Testemunho da missionária Amelinha: Missão na Igreja Irmã de Lábrea

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Dia 5 de outubro – dia de Lábrea


Com o testemunho da missionária Amelinha, a Província abre uma série de publicações sobre as missões da Igreja Católica e da Ordem dos Agostinianos Recoletos na região de missões no Amazonas.

"Meu nome é Amelinha e faço parte da Comunidade de Vida e Aliança Epifania na Arquidiocese de Vitória. Sou consagrada desde 2001 e fiz na Comunidade as promessas de vivencia da pobreza, obediência e castidade, assumindo a vocação do celibato pelo Reino.

Em 2006 nossa Comunidade abriu uma casa de missão na Prelazia de Lábrea, na cidade de Canutama e assim comecei a conhecer e amar mais de perto aos nossos irmãos. Fui duas vezes em missão para encontrar com minhas irmãs que lá estavam morando e participei de algumas formações com as comunidades ribeirinhas.

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Foram viagens de descobertas: descobri que o rio Purus é o caminho para todas as comunidades, que dele se tira o sustento, que ele dita o ritmo da vida para o povo daquela região. As cheias e vazantes determinam todo o viver das comunidades e também das missões.

Conheci um povo, meus irmãos, que me acolheram com tanto amor, com tanto carinho e uma profunda abertura de coração. O sorriso das crianças cativa; a solidariedade, a partilha e o despojamento, transforma o coração.

Com o encerramento da casa de missão, Deus suscitou uma nova forma de estarmos com o povo que aprendemos a amar.

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Em janeiro 2007, ao realizar uma visita à Casa de Missão que a Comunidade Epifania mantinha em Canutama, e deparando-se com a precariedade da saúde dos ribeirinhos, a fundadora da nossa Comunidade, Doris Pereira de Almeida, sentiu a inspiração de iniciar um trabalho direcionado especificamente à população ribeirinha através de um Barco Hospital que percorreria a calha do Rio Purus, afim de que esta mesma população pudesse receber atendimento médico e odontológico.

Assim, esta inspiração é partilhada e apresentada a D. Jesus, bispo da Prelazia de Lábrea, que acolheu a proposta, mas também viu as dificuldades para a sua concretização. A partir de então inicia-se o processo de elaboração de um projeto a ser encaminhado a uma Instituição da Itália para aquisição da embarcação.

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Durante o tramite de aprovação de tal projeto, D. Jesus viaja em férias para sua cidade natal na Espanha, e tem a grande surpresa de encontrar um médico que estava disposto a lhe fazer a doação de um Barco Hospital equipado com um consultório médico e outro odontológico. Percebeu então que o projeto era de Deus, e assim, aceitou a doação do barco. 

Pouco tempo depois, a Comunidade Epifania, ao saber da aquisição do barco, consegue alterar o objetivo do projeto e encaminha à Itália, que prontamente aprova, direcionando a verba para a manutenção e compra de alguns equipamentos que ainda faltavam para implementar o Barco Hospital. 

A Arquidiocese de Vitória colaborou com o projeto com parte da coleta solidária do Projeto Igreja-irmã de Lábrea que aconteceu em agosto de 2013. Recebemos doação de medicamentos e materiais de muitas pessoas. 

E assim, este ano, de maio a agosto, foi realizada a Missão laguna Negra, onde foram atendidas 223 comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas com consultas médicas ambulatoriais, emergência e odontológicas. Fizemos também visitas domiciliares, atendimento de oração com celebração da Santa Eucaristia em cada comunidade. Pudemos encontrar e atender mais de 3500 pessoas. 

Dividimos a missão em várias equipes que eram trocadas a cada 15 dias. Cada equipe era composta de médico, enfermeiro, dentista, técnicos da área de saúde, sacerdote e missionários da nossa Comunidade. Também faziam parte da equipe a cozinheira, os pilotos do barco e religiosas da prelazia.

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Participei da missão entre a cidade de Lábrea e a Foz de Tapuá, foram quinze dias de muita alegria. Alegria da missão, alegria do encontro, alegria da doação, alegria do amor entre os irmãos.

Acolher a cada pessoa que subia no barco, conhecer um pouco de sua história, poder levar um pouco de conforto aos que sofrem, e ao final do dia celebrar juntos a Eucaristia.

Comunidades com muitas necessidades materiais, mas cheias de vida, de amor para partilhar e uma capacidade de acolhimento infinita. Lá tive a experiência dos pobres de Deus. Dos pobres que tudo confiam ao Senhor, que em tudo dependem Dele.

Com eles me alegrei, celebrei a vida, partilhei do que sou e recebi do que são. Em alguns momentos chorei, me emocionei e me entreti. Até joguei futebol em uma comunidade! Quase morro, mas como me diverti!

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Voltei com o sentimento de que trouxe mais do que levei, recebi muito mais do que dei. E a certeza no coração de que preciso voltar, o ir missionário é fonte de vida. A saudade é grande e o coração anseia pelo novo encontro."

Amelinha