435 perguntas sobre a Santa Missa – parte 29

435 00 200Igreja & Doutrina
Catecismo da Santa Missa

 

Tendo por base um livro, publicado em 1975,

de um autor anônimo do século XIX,

tudo o que você gostaria de saber sobre a Santa Missa.

 

 Parte 29 - Perguntas de 281 a 290

veja também:

Parte 1: perguntas de 01 a 10

 

Parte 2: perguntas de 11 a 20

 

Parte 3: perguntas de 21 a 30

 

Parte 4: perguntas de 31 a 40

 

Parte 5: perguntas de 41 a 50

 

Parte 6: perguntas de 51 a 60

 

Parte 7: perguntas de 61 a 70

 

Parte 8: perguntas de 71 a 80

 

Parte 9: perguntas de 81 a 90

 

Parte 10: perguntas de 91 a 100

 

Parte 11: perguntas de 100 a 110

 

..

Parte 12: perguntas de 111 a 120

 

Parte 13: perguntas de 121 a 130

 

Parte 14: perguntas de 131 a 140

 

Parte 15: perguntas de 141 a 150

 

Parte 16: perguntas de 151 a 160

 

Parte 17: perguntas de 161 a 170

 

Parte 18: perguntas de 171 a 180

 

Parte 19: perguntas de 181 a 190

 

Parte 20: perguntas de 191 a 200


Parte 21: perguntas de 201 a 210

 

Parte 22: perguntas de 211 a 220

 

..

 

Parte 23: perguntas de 221 a 230

 

Parte 24: perguntas de 231 a 240

 

Parte 25: perguntas de 241 a 250

 

Parte 26: perguntas de 251 a 260

 

Parte 27: perguntas de 261 a 270

 

Parte 28: perguntas de 271 a 280

 

 

P281. Seria possível explicar esse princípio com um exemplo?

R. Sim. Suponhamos que Deus tivesse querido estabelecer um sacrifício muito solene para a entrada e posse do seu povo na terra prometida, e que tivesse declarado que este sacrifício, único em sua classe, não fosse oferecido pelos filhos de Aarão em nome dos seus irmãos, mas por cada israelita de cada tribo e família; suponhamos ainda que a vítima fosse representada somente por um cordeiro e que esta imolação se renovaria por cada ato pessoal e individual. Suponhamos que Moisés, antes de dar posse das terras além do Jordão às tribos de Gad, de Ruben e à metade da tribo de Manasés, tivesse escolhido o cordeiro destinado ao sacrifício. As tribos cujas possessões estariam já definidas passariam diante do altar e, desfilando na sua ordem, apresentariam pelas mãos de cada indivíduo aquele cordeiro para ser imolado. Moisés, já próximo da sua morte, também o ofereceria, mas de forma mais solene. Josué, seu sucessor para conduzir o povo de Deus, imola o cordeiro deixando-o no altar banhado com seu sangue. As demais tribos de Israel, antes de passar o Jordão, desfilam diante do altar e cada indivíduo oferece o sangue derramado. Terminado o desfile e o oferecimento de todo o povo, levam o sangue do cordeiro ao tabernáculo para ser nele conservado. Depois os levitas o tiram todos os dias, e muitas vezes ao dia, para oferecê-lo a Deus em nome de todo o povo, e este rito se conserva por todas as gerações. Neste exemplo, poder-se-ia duvidar de que, apesar de terem sido multiplicadas as oblações e que duraram por tanto tempo, somente foi efetuado por todos um só e único sacrifício, e que sua continuação, enquanto subsistir o povo de Deus, não alteraria em nada a sua identidade e a sua unidade?

Eis a imagem patente e o exemplo vivo do sacrifício da cruz que o Cenáculo viu antecipar-se e que continua na Missa até a consumação dos séculos: os justos que viveram antes de Jesus Cristo e que durante mais de 4.000 anos passaram diante do seu altar para oferecê-lo com sua fé; e após a consumação do sacrifício, todas as tribos da terra passam diante deste mesmo altar, oferecendo realmente o mesmo Jesus Cristo imolado, tornado presente pela instituição da autoridade divina o mesmo Deus do Calvário, com seu corpo que é oferecido, com seu sangue que é derramado sem cessar, para a remissão dos pecados.

A Missa é realmente, portanto, quer em relação ao sacerdote, à vítima e à imolação, o mesmo sacrifício da cruz; seu preço é, portanto, de valor infinito, como a morte do Salvador. Eis, dentre outras conseqüências, as que podemos tirar da prática deste sentimento católico que acabamos de expressar e de provar.


P282. Por que explicar tão detalhadamente este tema?

R. Porque, ainda que comumente se ouve dizer e repetir diariamente que a Missa é o mesmo sacrifício da cruz e que devemos assisti-la como diante da cena do Calvário, freqüentemente acontece que não fixamos bem suas conseqüências nos nossos corações, visto seu entendimento não ter penetrado profundamente na nossa razão.


P283. Como podemos colocar em prática esse conhecimento mais aprofundado da Missa?

R. Uma vez entendido melhor esta elevada teologia de S. Paulo, vemos o profundo respeito, a viva confiança, a plenitude de fé e de amor que devemos ter diante dos altares, nas Igrejas, pensando se tivéssemos assistido a oblação da imolação do Calvário, como estaríamos unidos mais estreitamente a Nosso Senhor Jesus Cristo, como teríamos recolhido com o maior cuidado cada gota do seu sangue, como teríamos guardado cada batimento do seu coração, cada palavra da sua boca e diríamos mil vezes com fervor: “Lembrai-vos de mim, Senhor” -“Memento mei, Domine” (Lc 23), e com o coração cheio de dor e de arrependimento, repetiríamos o grito de fé e de reconhecimento: este homem é o verdadeiro Filho de Deus – “Vere Filius Dei erat iste” (Mt 27), e quereríamos ajudar a preparar os perfumes e a sepultura de Deus vítima e, principalmente, a desejar que os nossos corações lhe servissem de túmulo.


P284. Com que respeito, e disposição de alma, nós devemos assistir o santo sacrifício da Missa?

R. Se:
A – transportados em espírito como o apóstolo S. João (Apc 5) assistimos no sublime altar do céu, onde Nosso Senhor celebra e oferece sem cessar, por si mesmo e sem representante, e víssemos no trono de Deus este cordeiro em pé, imolado, abrindo o livro da liturgia eterna para nele ler o nome dos que aproveitam do seu sangue derramado, para fazer com que os homens se inscrevam naquelas páginas de vida, segundo as quais se concluirá no fim dos tempos a Missa definitiva e a despedida irrevogável;
B – ouvirmos ressoar no céu estas terríveis palavras: “As coisas santas são para os santos; a felicidade, a bem-aventurança e a benção, para os filhos de Deus; a Missa eterna para a inocência e para o arrependimento; … nós nos prosternaríamos diante do cordeiro para a adoração com o coração arrependido e humilhado, e encheríamos os incensos de ouro com a mais pura oração.


P285. Que outros princípios devem alimentar nossa alma ao assistir a santa Missa?

R. Como a Missa continua na terra o mesmo sacrifício que continua no céu, e que a mesma vítima sobe de um altar ao outro levando consigo nossos desejos, e volta a descer carregada de bênçãos, ao assistir a Missa devemos animar nossa alma com os mesmos pensamentos que teríamos no céu.


P286. O valor da Missa é, pois, infinito?

R. O valor da Missa é infinito por se referir a Deus vítima, à suficiência do tesouro dos seus méritos que, oferecidos por Deus-sacerdote, serão sempre aceitos pelo Senhor, como dignos da sua majestade e da sua justiça; o valor da Missa é de valor finito quanto ao exercício do sacerdote secundário, que é um homem revestido de poderes divinos, e enquanto aplicação que o Senhor nos faz dos méritos do seu Filho, proporcionalmente à nossa fé, nossa penitência e nosso fervor.


P287. Quais são os frutos do sacrifício da Missa?

R. A Igreja nos ensina que a Missa opera por si mesma, e por sua virtude própria, o perdão dos pecados; mas o opera de uma forma mediata, ou seja, que pelo próprio ato do sacrifício, e sem nenhum meio ulterior, ela obtém, para o pecador, a graça de se converter e de receber, no sacramento da Penitência, a remissão das suas faltas.

Exemplificando: uma pessoa que pede a Deus a graça de mudar de vida e de se confessar, mas sem assistir ao sacrifício da Missa, poderá obtê-la somente em virtude do seu fervor e das suas instâncias, porém sempre terá dúvida se de fato a obteve.

Contudo, se ela assiste a santa Missa com aquela finalidade, é certo que receberá a graça pedida, de modo eficaz, desde que não oponham obstáculos a ela, independentemente das disposições de quem celebra e do fervor de quem assiste a celebração, entendendo-se o mesmo quanto às demais graças para a salvação.


P288. Se a Missa produz a graça e a aplicação dos méritos do sangue e da morte de Cristo, em que ela se diferencia dos sacramentos?

R. A diferença é que a Missa nos concede a graça de forma mediata, enquanto que os sacramentos nos dão a graça imediatamente; a Missa é uma via segura que conduz à vida, à graça, e os sacramentos são a própria vida, a própria graça, com toda a sua eficácia.


P289. Que podemos concluir desse conceito?

R. Podemos concluir que a assistência à Missa é uma excelente disposição para o perdão e a conseqüente justificação, considerando que a Missa é o tribunal de misericórdia de primeira instância, se é permitido assim falar, e dela se passa ao tribunal de reconciliação de último recurso.


P290. Haveria outra diferença entre a Missa e os sacramentos?

R. Sim. Há outra diferença mais favorável ao sacrifício: os sacramentos só aplicam o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo aos que são dignos dele, enquanto que a Missa o aplica ao justo e ao pecador, ao que merece e ao que nem é mesmo digno de recebê-lo. Isso porque os sacramentos só produzem seus efeitos para os vivos, enquanto que a Missa estende seus frutos de salvação aos vivos e aos mortos.

 

435 01 650 

Baseado em livro de autor anônimo do Século XIX,

publicado em 1975 pela EDICIONES RIALP – Madrid,

NIHIL OBSTAT de D. José Larrabe Orbegozo, Madrid, 27 de outubro de 1975

IMPRIMA-SE: Dr. D. José Maria Martim Patino, Pro-Vigário Geral

Apresentação de Angel Garcia Y Garcia


Fonte: Site Aleteia