Mensagem da CUP: Comissão de União das Províncias

cup00 200Ordem dos Agostinianos Recoletos
Lima, Peru

 

A comissão da união das províncias (CUP) Santo Tomás de Vilanova, São José e Santa Rita de Cássia disponibiliza a mensagem da reunião de janeiro.

 

MENSAGEM DA COMISSÃO DE UNIÃO DAS PROVÍNCIAS (CUP)

 

Casa de formação Santa Rita, Lima – Peru.  

cup00b 200Após a impetuosa experiência de Pentecostes vivida em nosso último Capítulo Geral, que nos surpreendeu e nos desconcertou, mas que também nos desinstalou e nos lançou na aventura sempre imprevista e apaixonante do Espírito, seguimos contemplando e agradecendo “esse algo novo que vai surgindo” no meio de nós. “Eis que eu faço novas todas as coisas” (Ap 21,5).

Como foi comunicado, nos dias 17 a 19 de dezembro realizou-se o encontro de superiores maiores das três Províncias que caminhamos para a união (Santa Rita, São José e Santo Tomás de Vilanova) na “Quinta San Agustín” – Pilar - (Buenos Aires). Posteriormente o Prior Geral, Fr. Miguel Miró, nomeou a comissão responsável por conduzir este processo de união, que imediatamente pôs mãos à obra, reunindo-se na Casa de Formação (Teologado Santa Rita) da Província de São José, em Lima, nos dias 25 a 27 de janeiro de 2017.

 

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cup00 200Queremos endossar a ação do Espírito, verdadeiro protagonista por revelar-nos o desígnio e sonho de Deus para nossa Ordem. Somos conscientes de que os desafios e horizontes que se nos abrem são apaixonantes e geradores de vida, mas também não somos menos conscientes das dificuldades e pedras que podemos encontrar pelo caminho. Nada nos pode frear no empenho de ser aquilo a que Deus nos chama neste momento concreto de nossa história: testemunhas e construtores de comunhão. 

Para construir essa comunhão, que é dom de Deus, mas também é nossa tarefa e missão, precisamos, por um lado, interceder, clamar e pedir a Deus que nos olhe com misericórdia e nos conceda o dom da comunhão e da fraternidade. Todos, desde nossa fragilidade e pobreza, temos que continuar orando insistentemente ao Senhor para que a obra que no Capítulo Geral foi começada, Ele mesmo a leve a termo. Assim, mais que tarefa e trabalho, precisamos de irmãos que se disponham a dar o melhor de si e assim possam ajudar neste momento crucial da vida da Ordem. Por isso nos organizaremos em subcomissões: formação e espiritualidade, apostolado missionário e ministerial, apostolado educativo, vocações, pastoral juvenil, meios de comunicação social e economia, que estarão sob a coordenação de um dos membros desta comissão.

 

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Juntos, num clima de fraternidade, elaboramos algumas pistas para ir dando passos com vistas a uma unidade afetiva e efetiva, elaboramos o cronograma de algumas atividades, encontros e reuniões, definimos uma metodologia de trabalho e damos pistas para que as comissões as tenham em conta, se o creem conveniente.

cup00b 200O Papa Francisco disse num contexto de ecumenismo, mas perfeitamente aplicável ao momento histórico que vivemos na Ordem, que “estamos chamados a construir e reconstruir, sem desfalecer, caminhos de comunhão, a construir pontes de união e superar as barreiras que nos separam”. 

 

Para construir comunhão precisamos de algumas ferramentas:

1. Memória agradecida. 

O Senhor tem escrito uma história de aliança, de amor e de salvação com cada uma de nossas províncias, e dispomo-nos a escrever um capítulo mais dessa história em que os caminhos se juntam, que terá, sem dúvida, muitas páginas de incertezas, de encruzilhadas, de inquietude e preocupação, mas que, sem dúvida, seguirá sendo história salvífica. Uma história que nos une a mais irmãos, que apresenta novos desafios, que exige de todos nós dar o melhor de nós mesmos. Deus nunca nos deixou sozinhos, inclusive no meio de grandes dificuldades, e seguirá conosco porque Ele é fiel.

 

2. Fé. 

É a luz que deve iluminar todo o processo de união. Isso não é uma obra humana que se desenvolve unicamente com cálculos, estatísticas e estudos. É obra de Deus e com Deus se caminha e se vive de fé. E viver de fé é peregrinar às apalpadelas, às vezes na escuridão, como o “povo de Deus”, sem saber o que vai se passar amanhã, sem ver com clareza, sem estar seguro dos resultados, mas sempre dando passos, sem se desanimar, guiados pela voz do Pastor que nos guia, às vezes por veredas escuras e vales tenebrosos, outras vezes por verdes pastagem e fontes cristalinas. Viver de fé é confiar e arriscar-se, abandonar-se em Deus e também aprender a confiar nos irmãos que farão a mesma travessia.

 

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3. Amor misericordioso. 

Diz o Papa Francisco que é este amor que rejuvenesce a Igreja. Após viver um ano centrados especialmente na misericórdia, deveríamos esforçar-nos para ter o olhar de Deus e enxergar a misericórdia com que Deus nos vê. Não é tempo de disputas, nem de competitividade, não é tempo de enredarmos em discussões estéreis que nos desgastam e não nos permitem avançar. É tempo de misericórdia, de gestos, de amor concreto. Não nos unimos para ser mais, nem para nos contemplar uns a outros e, sim, para servir melhor ao povo de Deus a partir de nossa identidade carismática. 

 

4. Esperança. 

 É o ritmo que devemos imprimir à nossa viagem, é a disposição que deve nos acompanhar em todo momento, é entender que haverá problemas e dificuldades, mas convencidos de que em Deus e com Ele venceremos todos os obstáculos que se apresentem, porque “nossa esperança está em sua grande misericórdia”. Esperança que não nos deixa desfalecer, que afasta o desalento, que nos revigoriza e nutre, que renova nossas forças, que nos infunde ânimo e que sustenta nosso caminho. A esperança não nos torna sonhadores ingênuos, nem apresenta a dura realidade com belas cores, mas sim nos faz entender que a semente deve morrer para poder dar fruto, que se deve perder para ganhar e morrer para gerar vida. 

 

5. Diálogo. 

 Não podemos nos cansar de dialogar, não podemos nos cansar de construir pontes em todas as direções. O diálogo nos ajuda a ampliar o olhar, a entender melhor as situações, os processos e as pessoas. O diálogo nos ajuda a nos conhecer, entender-nos e compreender-nos, desata os nós, desbloqueia os conflitos e encurta as distâncias. 

 

6. Testemunho. 

Sem conversão pessoal e comunitária poderemos unir nossas sociedades civis, poderemos unir propriedades, ministérios e presenças e passar a viver juntos, mas não teremos alcançado o objetivo final da união das províncias que é “conseguir uma autêntica vivência agostiniana recoleta, impulsionar a vida fraterna em comunidade, realizar a missão que a Igreja nos encomenda e estar onde sejamos mais necessários” (PVMO A.1).

 

Cada um dos irmãos pode propor muitas outras ferramentas de comunhão e todas são importantes. É tempo de se perguntar: o que eu posso oferecer para construir e semear comunhão? O que Deus me pede neste momento crucial de nossa Recoleção? O que estou disposto a dar? Todos somos importantes: os irmãos enfermos oferecendo seus sofrimentos pelos frutos da união das províncias; os idosos contribuindo para manter viva a memória agradecida de nossa história, iluminando-nos com a sabedoria que trazem os anos e a experiência; os jovens contagiando-nos com seu entusiasmo e ajudando-nos a olhar sem preconceitos para “o novo” que Deus quer fazer. Os religiosos com mais anos de profissão contribuindo com maturidade, generosidade e entrega, e todos, sentindo-nos protagonistas desta história que Deus quer escrever por meio de nós, frágeis instrumentos, mas escolhidos por Ele para serem suas testemunhas de comunhão.

 

Lima, 27 de janeiro de 2017

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