12 de junho: São João de Sahagún

 

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Sincero e humilde, ele foi um dos maiores pregadores que a Espanha já conheceu.

 

Promotor da paz e defensor da justiça na sociedade, sua defesa dos direitos dos trabalhadores é outro fato marcante em sua vida.

 

 

..sahagun02Desejando

uma entrega

mas completa
a Deus
e a seu povo,
o padre 
João de Sahagún
decidiu 
tornar-se um
frei agostiniano.

A devoção à Eucaristia marcou todos os aspectos 
da vida de São João de Sahagún.

. . .
S a i b a      M a i s :

Leia um texto escrito pelo padre João de Sevilha
sobre são João de Sahagún

 

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Ele nasceu por volta de 1430 em São Fagondez, hoje Sahagún, de uma família distinta. Desde bem jovem ele deu sinais de santidade.

 

João foi fruto de ardentes orações de seus pais depois de 16 anos de infertilidade. Deus ainda abençoou o casal com mais sete crianças. Seu pai se chamava John Gonzalez de Castrillo e sua mãe Sancia Martinez.

 

Sua educação inicial foi confiada aos Beneditinos do mosteiro de São Fagondez, sua cidade natal.

 

Ainda jovem, seu pai (de acordo com o costume da época) procurou e conseguiu para ele um benefício eclesiástico que lhe garantiria uma renda substancial. Isto não estava em seus planos e era contrário às suas convicções. João renunciou a essa posição confortável e lucrativa pois ele considerava o benefício como uma oposição aos desígnios de Deus. Sua família ficou muito desapontada.

 

Levando em conta seu ideal, ele foi apresentado e colocado à serviço do bondoso Bispo de Burgos, Afonso de Cartagena, que, impressionado pelas suas qualidades, continuou a educação de João de Sahagún em sua própria residência e o ordenou sacerdote em 1445.

 

O que se seguiu foi um trabalho administrativo na cúria e uma promessa de uma indicação para cônego. Novamente, João recusou tais perspectivas de carreira e ficou somente com o trabalho em uma capela, servindo zelosamente pela salvação das almas. Mas a vida de sacerdote não trouxe total satisfação ao seu ideal. Nem sequer a promessa de ser cônego o reteve. Ele buscava serviços que preenchessem melhor todos os seus ideais.

 

Assim, desejando uma entrega mais completa a Deus e acreditando que uma melhor compreensão de teologia seria benéfico, obteve permissão de seu bispo e foi estudar teologia em Salamanca. Ao mesmo tempo que prosseguia nos estudos – que durou quatro anos -, dedicou-se à pregação. Ele exerceu seu ministério sagrado na capela da Faculdade de São Bartolomeu, na paróquia são Sebastião, onde trabalhou por nove anos.

 

O jovem padre já era visto como um Santo, tão ardente era sua devoção à Santa Missa. Ainda não satisfeito, ele escolheu entrar na Ordem dos Agostinianos e seguiu o caminho da santidade através de um profundo amor pela Eucaristia, por meio da pregação e, principalmente, um incansável promotor e realizador da paz e defensor dos direitos dos trabalhadores.

 

Foi em 1463 que ele fez o pedido de admissão e ingressou no dia 18 de junho do mesmo ano na Ordem de Santo Agostinho, logo depois de ter doado para um pobre homem metade de suas roupas. Na noite seguinte experimentou tão grande aumento no amor de Deus que ele se refere a esse fato como sua conversão. Ele emitiu seus votos no dia 28 de agosto de 1464.

 

O frei João de Sahagún foi um modelo de religioso e logo lhe foi confiado importantes cargos na Ordem: mestre de noviços e prior do convento da cidade de Salamanca, entre outros. João de Sahagún comandava bem pois sabia obedecer como ninguém. Quando ele observava em si mesmo um pequenino defeito em sua obediência, ele reparava o erro com penitências extraordinárias.

 

Cheio de humildade e sinceridade, infatigável pregador, prosseguiu promovendo a paz, a convivência social, defendendo os direitos dos humildes e trabalhadores.

 

Profundamente devoto da Eucaristia, freqüentemente quando oferecia o adorável Sacrifício com tenra piedade, ele se deliciava com a visão de Jesus na glória e teve doces colóquios com Ele. O inefável êxtase desses momentos lhe fez passar muito mais tempo celebrando a Eucaristia do que os outros padres e todos estavam reclamando. Seu Superior então o proibiu de atrasar as missas daquela maneira.

 

Como ele tinha o dom de penetrar nos segredos da consciência, não era fácil enganá-lo. Assim, quem o procurava invariavelmente acabava por fazer uma boa confissão, que era o primeiro passo para começar a corrigir os erros e pecados da vida.

 

Em seus sermões, assim como aconteceu com são João Batista, ele pregava sem medo a palavra de Deus e denunciava crimes e erros, mesmo que isso ofendesse poderosos. Isso fez com que ele colecionasse muitos inimigos.

 

O poder de sua santidade pessoal estava estampado na sua pregação, o que produziu uma reforma completa na moral em Salamanca. Ele tinha um dom especial para reconciliar diferenças e foi capaz de terminar com lutas e disputas entre nobres, na época realidade muito comum e fatal. A coragem mostrada por São João em reprovar os erros colocou sua vida em perigo.

 

Um dos contemporâneos dá testemunho do caráter de João de Sahagún:

 

Se você me perguntar sobre as ações de frei João em relação ao pobre e ao afligido, viúvas e crianças exploradas, necessitados e doentes, eu diria que ele era naturalmente compelido a ajudá-los com palavras e ações.

 

Ele era particularmente interessado em liderar a paz e a harmonia e colocar fim às hostilidades. Morando em Salamanca, onde a cidade inteira estava dividida em facções, ele teve sucesso em evitar muito derramamento de sangue.

 

Devido às constantes iniciativas de paz, os nobres de Salamanca que eram inimigos entre si assinaram um tratado solene e perpétuo de paz em 1476.

 

Certa ocasião, um poderoso nobre, tendo sido corrigido por João por oprimir os que para ele trabalhavam, enviou dois assassinos para matá-lo. Mas o aspecto reconhecidamente santo de João, resultado da constante paz que reinava em sua alma, refletiu em respeito e admiração neles e eles não puderam executar a ordem dada e humildemente pediram seu perdão. O próprio mandante, o nobre poderoso, ficou doente, mas, arrependido, recuperou a saúde por meio de orações do Santo que ele havia desejado matar.

 

São João foi também muito zeloso em denunciar os erros da impureza e foi em defesa da santa pureza que ele encontrou sua morte. Uma senhora de nascimento nobre mas vida desregrada, cujo companheiro de cama o santo havia convertido, preparou a administração de uma dose fatal de veneno para o santo. Depois de meses de sofrimento terrível, suportado com paciência exemplar, São João partiu para a casa do Pai no dia 11 de junho de 1479, em Salamanca.

 

Nos 16 anos como agostiniano ele ganhou a reputação de grande santidade. Um número grande de milagres se seguiu em sua tumba e outros lugares, mesmo pela simples evocação de seu nome.

 

Seu processo de beatificação começou em 1525 e já em 1601 ele foi declarado beato. Ele foi canonizado em 16 de outubro de 1690 pelo Papa Alexandre VIII. Em arte, ele é representado segurando um cálice com a Hóstia Sagrada envolta em raios de luz.

 

A morte dolorosa e a razão pela qual ele sofreu fizeram com que vários historiadores afirmassem que ele conquistou a coroa do martírio.

 

Suas relíquias conservam-se na catedral nova de Salamanca, cidade cheia de lugares cujos nomes recordam as obras do santo em vida e depois de morto. Com sua morte, João deixou a cidade completamente transformada e a vida espiritual de seus habitantes renovada de maneira admirável. São João é honrado como o patrono da cidade e da diocese de Salamanca.

 

 

Espanha:

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Cidades importantes
na vida de
João de Sahagún:

Sahagún
(bolinha verde)
;
Burgos (azul) e
Salamanca
(laranja)

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João de Sahagún
foi sacerdote
antes de ter
se tornado
um frei
agostiniano. 
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Seu profundo
amor pela
Eucaristia
marcou todos
os aspectos
de sua vida.
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O padre
João de Sahagún
fez os votos
no dia 
28 de agosto
de 1464

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Assim como
João Batista
nos tempos
de Jesus,
João de Sahagún
denunciava crimes
e erros, 
mesmo que
isso ofendesse
poderosos 

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Papa
Alexandre VIII

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Fachada da
Catedral Nova
de Salamanca

 

 

 

 

 

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Por isso quero exortar-te a reavivar o carisma que Deus te concedeu pela imposição de minhas mãos. Pois Deus não nos deu um espírito de covardia, mas de força, de amor e de moderação.

 

Portanto, não te envergonhes de testemunhar a favor de nosso Senhor, nem te envergonhes de mim, seu prisioneiro; mas, sustentado pela força de Deus, sofre comigo pelo evangelho.

 

Deus, autor da paz e fonte da caridade, que destes a São João de Sahagún a graça maravilhosa de pacificar os ânimos; fazei que nós, a seu exemplo, permaneçamos firmes na caridade e jamais nos separemos do vosso amor.

 

Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém. . Amém.

 

 

 

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O pregador deve falar a verdade 
e morrer por ela. 
Deus manifestava-se a João de Sahagún
no Santíssimo Sacramento.

 

Estando Frei João Sahagún com o Bispo de Burgos, quando ainda não era religioso [agostiniano], o Bispo deu-lhe certos benefícios para demonstrar-lhe apreço; mas o bem-aventurado João pediu-lhe licença para retirar-se a algum lugar onde pudesse servir melhor a Deus.

 

O Bispo imaginou que ele fazia isto porque não tinha maiores rendas. A esta dúvida Frei João respondeu que desse aqueles benefícios a quem os pudesse receber em boa consciência, já que ele não queria nenhum.

 

Quando já religioso [agostiniano], visitava as viúvas, os necessitados, os enfermos e a todos que sofriam angústias e aflições, consolando-os com as mais doces palavras. E percorria a cidade pedindo auxílio daqueles que possuíam bens para ajudar os necessitados.

 

Era mediador de paz e de concórdia e desejava que todos vivessem em harmonia. Inimigo das discórdias, encontrando-se em Salamanca no tempo de muitos distúrbios, impediu muitas mortes e desavenças.

 

Era tão brando na pregação que costumavam dizer:

 

Vamos ouvir o frade manso e humilde.

 

Era, entretanto, corajoso e dizia sempre a verdade nos tempos e lugares oportunos como convém aos pregadores.

 

Durante uma pregação, mostrou-se tão rigoroso contra os senhores que favoreciam e defendiam os bandidos que perturbavam, maltratavam, roubavam e que sustentavam os bandos armados, que, embora tivesse guardado a moderação, o Duque de Alba julgou que tudo aquilo tinha sido dito para ele, e zangou-se muito. O Duque lhe disse:

 

Padre, o Sr. excedeu-se em suas palavras e falou sem delicadeza.

 

Frei João respondeu:

 

Senhor, para que subo ao púlpito e para que vou pregar? Para dizer a verdade ou para lisonjear e agradar os ouvintes? Saiba que convém ao pregador falar a verdade e morrer por ela, repreender os vícios e louvar as virtudes.

 

[Por causa disto o Duque quis matá-lo]. 

 

Ele sofreu muitas outras perseguições com outros senhores, grandes e pequenos, por dizer a verdade, a tal ponto que estamos certo que mataram-no, colocando veneno em sua comida.

 

Nunca deixou de rezar missa, a não ser por um impedimento sério. Sabendo o Prior que demorava muito na celebração da missa, mandou que os religiosos o ajudassem, sem perturbá-lo. Deus manifestava-se a ele no Santíssimo Sacramento. Frei João via-O com seus próprios olhos. O próprio Deus encarnado falava com ele. O Prior Frei Martinho de Espinosa garantiu-me que isto era verdade e contou-me:

 

Afirmo que Frei João contou-me coisas maravilhosas que lhe aconteciam na celebração da missa e que eu próprio fiquei maravilhado de tudo o que me disse.

 

(Da vida de São João de Sahagún,
do Pe. João de Sevilha, Cap. 1-4.).
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São João
de Sahagún
recusou
certos
benefícios
pois era um
homem
sincero e
humilde

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Ele foi 
um mediador
da paz
e da
concórida

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Em suas
pregações
denunciava
as injustiças

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Ele sofreu
muitas
perseguições
e há fortes
indícios de
que foi
envenenado.

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Deus se
menifestava
a João
de Sahagún
no Santíssimo
Sacramento.

Ele O via
com seus
próprios
olhos.
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Edição para o site: Frei Mason, OAR